quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Parece que não vai passar, mas vai. Parece que a dor não vai embora, que vai te sufocar. Parece que se não disser tudo o que quer, tudo o que precisa, não vai rolar uma paz. Agora parece necessário tentar até o final, ou, se for o caso, sentir o orgulho te massacrar. Agora rola essa vontade de pedir pra ela ficar, pra ela não ir, e tem também o medo de se humilhar, de piorar. Inquietude, ansiedade, quando acaba é assim mesmo, parece que ninguém te entende. Aquela busca por pelo em ovo e quando acha, dói mais. Uma tortura, impulsos incontroláveis, fossa, amigos entre o saco cheio e a vontade de matar quem te fez mal.
É assim, dormir é um alívio, então você acorda e percebe que absolutamente nada mudou, já acorda com o peito apertado e um bolo na garganta. Se arrasta para as próprias obrigações sem vontade, se entrega a pequenos vícios. Ameaça levantar e cai de novo, uma loucura, um carrossel emocional desgovernado. Olhar para as esquinas e espera que aquela pessoa tenha se tocado da burrada que fez. Encontra a esquina vazia e vasculha o passado em busca do que possa ter saído de errado, pega atitudes estúpidas e pequenas pra se culpar.
E um dia você acorda e não importa se está sol ou nublado, a bola na garganta foi embora. Você olha para os lados, analisa opções, faz as obrigações com mais vontade. Uma hora as coisas vão ficando pra trás, a dor vai sumindo e levando com ela as olheiras fundas. Em algum momento, sem mais nem menos, pequenos ou grandes prazeres começam a se destacar, analisamos racionalmente, percebemos que talvez tenha sido para o melhor. Nosso próprio mundo volta à rotação comum, a gente começa a analisar de longe e o problema vai ficando pequeno.
Pode faltar uma semana ou alguns meses, mas a estação muda. A sorte muda. Uma hora os filmes saem de cartaz e as músicas da rádio dão lugar a playlists novas. Os cenários vão mudando e as lembranças vão perdendo a resolução HD, se tornando mais fracas a ponto de não trazerem mais pesar. Em algum momento, quando parar de doer, a gente consegue até lembrar com carinho, sem arrependimentos.
A dor passa e fica a força. Uma garra que a gente só descobre quando se decepciona. As coisas boas aparecem e parecem muito mais brilhantes depois de um período de escuridão. Nada é insuperável, por mais que pareça ser no princípio. Temos o poder de mudar de direção com um certo desapego, oportunidades novas aparecem, pessoas entram nas nossas vidas e de repente aquele coração em frangalhos cicatrizou.
Aqui vai meu veemente “não” ao medo de arriscar. No coração partido sempre dei um jeito. Irremediáveis mesmo foram aquelas oportunidades que perdi.

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